Anuário da Indústria de Implementos Rodoviários 2026

92 ARTIGO | ARTICLE | ARTÍCULO A Reforma Tributária já deixou de ser um projeto e se tornou a realidade do planejamento das empresas que querem sair na frente. O Brasil inaugura um novo regime de tributação sobre o consumo, baseado no IVA, com uma alíquota de referência que pode superar 28%. Para o setor de implementos rodoviários, uma engrenagem vital que movimenta a infraestrutura e a logística nacional, isso não é apenas uma troca de guias de impostos. Esse redesenho altera a lógica de formação de preços, o modo como as empresas planejam investimentos e a forma como os elos da cadeia econômica repartem custos e margens. A grande questão é: para onde a sua empresa está olhando neste exato momento? O estudo “Data Tax Raio-X de preparação das empresas para a reforma tributária”, um amplo levantamento nacional conduzido pelo Tax Group, revelou que o mercado está caindo em uma perigosa armadilha de foco. A adequação de ERP/Sistemas é a única frente na qual a maioria das empresas já deu algum passo. O mercado corporativo entendeu que terá de mexer em tecnologia, mas ainda não internalizou os impactos econômicos e comerciais da reforma. Para os fabricantes de implementos, focar apenas no software e esquecer a estratégia de negócios é um erro que custará caro. Este é o movimento que a sua empresa precisa fazer agora: sair da sala de TI e levar a Reforma Tributária para a mesa de negociação comercial. A ilusão da prontidão e o risco para as margens Fabricar implementos rodoviários exige a gestão de uma cadeia de suprimentos complexa, uso intensivo de capital e negociações de longo prazo com transportadoras e frotistas. No entanto, os números do mercado nacional são alarmantes conforme o estudo: • A “miopia comercial”: 76,4% das empresas admitiram que não recalcularam suas tabelas de venda para o novo cenário tributário; • Contratos defasados: 71,4% das empresas ainda não revisaram seus contratos de longo prazo com clientes e fornecedores; • Cadeia de suprimentos em risco: 68,5% não fizeram ajustes em suas políticas de compras e tomada de crédito; • Caixa exposto: 73,9% não realizaram nenhum estudo sobre o impacto da nova alíquota no seu capital de giro. O que esse cenário sugere é risco elevado. As empresas poderão entrar no novo regime com a “máquina” pronta para emitir notas fiscais corretamente, mas estarão operando com margens de lucro equivocadas por falta de recálculo estratégico na ponta da venda. O movimento de agora exige reconhecer a complexidade do período de transição. Entre 2026 e 2033 será necessário conviver com regras antigas e novas, ajustar sistemas, recalibrar políticas de compras e renegociar condições comerciais. A elevação da alíquota de IVA para patamares potencialmente superiores a 28% aumenta drasticamente a pressão sobre o fluxo de caixa, especialmente em negócios que possuem forte exposição a regimes especiais e benefícios atuais. O Tax Group acompanha essa realidade de perto e compreende as dores específicas do segmento, tanto que desenvolveu a Reforma Tributária Inteligente (RTI), justamente para preencher a lacuna entre a conformidade tecnológica e a estratégia comercial. O trabalho não se limita a parametrizar sistemas, mas identificar como a nova carga afeta o preço final dos produtos, recalcular a margem para proteger a competitividade e estruturar políticas de compras e contratos para garantir que as empresas não absorvam o custo da ineficiência da cadeia. O momento de agir não é quando a nova alíquota bater à porta, mas agora, enquanto a concorrência ainda está focada apenas em atualizar softwares. O movimento certo hoje garante a liderança de amanhã.

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