72 RECICLAGEM | RECYCLING | RECICLAGE A chamada Lei do Desmonte (12.977), em vigor desde 2015, serviu de incentivo para que empresas que já atuavam no comércio de peças e sucata pudessem se organizar e se integrar à cadeia automotiva. Isso implicou menor informalidade, tanto no comércio de peças usadas como no reaproveitamento de diferentes materiais dos veículos desmontados. Segundo o Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP), o Estado tem 19 recicladoras e 923 desmontes registrados, aptos a fazerem, respectivamente, reciclagem e desmontagem de caminhões, a depender da decisão da própria empresa. De acordo com o órgão estadual, a principal diferença é que as desmontadoras podem reaproveitar peças para revenda ou reposição, enquanto as recicladoras têm finalidade específica de reciclagem de materiais, mas ambas estão aptas a receber caminhões. Arthur Rufino, CEO da Octa, confirma a importância da lei para o setor. O executivo fala com propriedade por ter participado da fundação da JR Diesel, uma referência neste segmento. “A JR começou em 1985 e, a partir de 1997, adotou um sistema de rastreabilidade das peças. Em 2008 ela aprimorou esse sistema para ter 100% de rastreabilidade dos componentes. Todas as bases práticas para a criação da Lei do Desmonte foram construídas usando como referência a operação da JR Diesel”, afirma. Rufino recorda que essas empresas promovem a circularidade no segmento automotivo. Segundo ele, o trabalho inclui a desmontagem de peças a serem revendidas, como itens de acabamento, por exemplo, ou remanufaturadas, como uma embreagem ou alternador. “Há também os materiais a serem separados, como aço, vidros, plásticos, cobre e alumínio. Cada um deles é vendido para sucateiros especializados. Há materiais não recicláveis, mas que também são recolhidos por empresas. São tecidos, fibras e peças contaminadas com óleo, por exemplo.” Rufino recorda que todas essas empresas precisam ser certificadas para atuar no segmento. “A Lei do Desmonte foi muito positiva, a regulamentação trouxe conforto regulatório e jurídico”, afirma o executivo. “O setor consegue sentar-se à mesa com o governo. Hoje sou chamado ao MDIC”, afirma, referindo-se a encontros com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Arthur Rufino, CEO da Octa
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