Anuário da Indústria de Implementos Rodoviários 2026

78 O setor espera que o País avance na discussão da redução de assimetrias, de mecanismos de defesa comercial mais eficazes, de ferramentas antidumping capazes de frearem o encolhimento da participação dos pneus nacionais, reduzida sobremaneira diante da voracidade dos importados. Especialistas, entretanto, ponderam que o eventual remédio tem que ter dosagem perfeita a ponto de evitar impacto sobre custos para transportadoras e clientes finais, uma vez que, por exemplo, meras restrições ou elevação de tarifas podem aumentar os custos do transporte rodoviário de cargas. A ANIP, entretanto, enfatiza que o setor vive crise sem precedentes e esgrime números como a redução da participação dos produtos nacionais de todos os segmentos no mercado de reposição de 66% em 2021 para 28%. Ou seja, 72% dos pneus adquiridos no Brasil vêm de fora. Tamanha mudança motivou a entrega, no primeiro trimestre, de manifesto multissetorial ao MDIC, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com diagnóstico e propostas para promover a indústria nacional e seu ecossistema. O documento alerta que toda a cadeia de produção do setor – incluindo produtores de borracha e fabricantes de aço, produtos químicos e têxteis – está sendo duramente afetada por produtos importados que chegam ao Brasil em alto volume, incluindo situações com preços inferiores aos custos de produção no mercado internacional. “Estamos vivendo um momento de grave risco de ruptura da cadeia de produção que pode levar à desindustrialização do setor, comprometendo a soberania nacional e a oferta de insumos estratégicos para o País”, diz Rodrigo Navarro, presidente da ANIP. Em 2025, a venda de pneus produzidos no Brasil recuo 5,8% ante 2024, de 40 milhões de unidades para 37,7 milhões no ano passado, com o pior resultado colhido na reposição, que absorveu 25,3 milhões de unidades, 2,1 milhões a menos que no ano anterior, um recuo de 7,5%. O mercado de pneus de carga desacelerou ainda mais. Foram negociadas 6,1 milhões de unidades contra 6,7 milhões no ano anterior, queda de 7,7%. Mais uma vez a reposição, responsável pela maioria das vendas do segmento, foi a grande vilã. Com computados 4,4 milhões de pneus negociados, ostentou expressiva queda de 9% na comparação com o ano anterior. As entregas para as montadoras e implementadoras foram reduzidas em 4%, para 1,75 milhão de unidades. “Em todas as frentes detectamos efeitos negativos que estão deteriorando o mercado e criando problemas estruturais para a indústria. Precisamos mudar isso em 2026”, enfatiza o presidente da ANIP. VENDAS DE PNEUS DE CARGA - 2025 ANO TOTAL REPOSIÇÃO MONTADORAS 2024 6.671.905 4.848.902 1.823.003 2025 6.158.378 4.408.452 1.749.926 Variação % -7,7% -9,1% -4,0% Fonte: ANIP PNEUS | TIRES | LLANTAS Rodrigo Navarro, presidente da ANIP

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