Por Vinicios Fernandes, diretor de Unidades de Negócio da Edenred Mobilidade
Em um setor pressionado pelo combustível e pela demanda, práticas fora do ambiente formal reduzem previsibilidade e impactam toda a cadeia logística
A informalidade nunca foi exceção no transporte rodoviário de cargas no Brasil. Em meus mais de 20 anos de experiência, vejo que ela sempre esteve presente, em maior ou menor grau, convivendo com a operação formal. A diferença em relação ao cenário atual é que, em um setor muito mais pressionado por custos, pela regulação e pelo cenário internacional, ela deixou de ser um ruído de fundo para passar a influenciar diretamente a forma como o mercado funciona.
Os números ajudam a dar uma dimensão real ao problema. De acordo com pesquisa divulgada recentemente pela Associação das Administradoras de Meios de Pagamento Eletrônico de Frete (Ampef) e elaborada pela consultoria GO Associados, cerca de 43% do transporte rodoviário opera fora dos mecanismos formais, o que representa em torno de R$ 351,8 bilhões por ano, com uma perda anual de R$ 32,7 bilhões em arrecadação tributária. Porém, mais do que o tamanho, o dado revela outra realidade, explicando por que o setor, muitas vezes, reage de forma desigual aos mesmos estímulos.
A recente alta do diesel, superior a 20% desde o início da guerra no Oriente Médio, segundo o IPTL (índice da Edenred Mobilidade), é um bom exemplo. Em um ambiente de demanda aquecida, o aumento de custos tende a se refletir no frete. Mas, na prática, esse repasse não ocorre de forma homogênea, justamente porque uma parte relevante do mercado não opera sob as mesmas regras. De um lado, empresas estruturadas, que absorvem custos regulatórios, tributários e operacionais; de outro, operações mais leves, que não suportam esses encargos. O resultado é um mercado menos previsível e, em muitos casos, menos eficiente.
Esse efeito ganha outra dimensão quando se considera o peso do setor. Cerca de 60% de tudo o que é transportado no país passa pelas rodovias. Portanto, não se trata de um segmento periférico, e sim de uma base que sustenta cadeias inteiras. Qualquer distorção aqui tende a se espalhar. Recentemente, o governo assinou a Medida Provisória nº 1.343/2026, que altera dispositivos da Lei nº 13.703/2018 e estabelece mecanismos mais rigorosos de controle do frete, com destaque para a obrigatoriedade do registro de todas as operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT). E as Resoluções nº 6.078/2026 e nº 6.077/2026, publicadas poucos dias depois, trazem mecanismos de controle já na contratação do frete.
Parte dessa dinâmica e dessas mudanças não surgiu agora. Durante muito tempo, a carta-frete foi um símbolo dessa informalidade: um instrumento de pagamento sem rastreabilidade, com pouca transparência e alto potencial de distorções. Sua proibição representou um avanço importante ao estabelecer um novo padrão para o setor, mas o problema não desapareceu: a informalidade se reorganizou e encontrou outras formas de seguir na estrada que, embora mais regulada, ainda apresenta obstáculos estruturais.
Em momentos de pressão, como o atual, esses obstáculos se tornam mais evidentes. Quem está dentro das regras precisa ajustar preços para preservar a operação, enquanto parte do mercado informal consegue adiar ou diluir esse impacto, o que, ao longo do tempo, desorganiza o setor. Em um país em que os custos logísticos já superam 15% do PIB, esse desequilíbrio torna-se ainda mais crítico e amplifica os efeitos dessas distorções.
Por isso, processos mais homogêneos e igualitários para todos, no final das contas, são um esforço de organização para um setor que tem tantos desequilíbrios. Em um ambiente com tantas diferenças, estabelecer parâmetros mínimos ajuda a reduzi-las e a trazer um grau maior de previsibilidade. Ao mesmo tempo, é impossível ignorar que o setor avançou. A digitalização dos meios de pagamento de frete trouxe mais controle, mais segurança e mais transparência às operações. E, talvez o mais importante: começou a atacar uma das raízes do problema, que sempre foi a falta de visibilidade.
A informalidade não se explica por um único fator e, muito menos, se resolve de forma simples. Ela é resultado de um conjunto de condições, como carga tributária elevada, burocracia, dificuldade de acesso a crédito e uma frota envelhecida, que ainda tornam a formalização mais difícil do que deveria ser. Em um setor central para o país, avançar passa por tornar esse caminho mais viável na prática, o que, aos poucos, começa a ganhar espaço no mercado.
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A ANFIR, Associação dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, realizou sua Assembleia Geral nesta terça-feira, 28, em São Paulo, com a participação de executivos e dirigentes de dezenas de empresas associadas e afiliadas, além de representantes de setores coligados.
A edição de 2026, comandada por José Carlos Spricigo e Mario Rinaldi, respectivamente presidente e diretor executivo da entidade fundada há exatos 46 anos, avaliou os resultados do último ano e as perspectivas de curto e médio prazo.
O setor congrega quase 1,6 mil empresas – 199 associadas à ANFIR –, gera mais de 51 mil postos de trabalho, vendeu 149,2 mil implementos de todos os portes em 2025, volume que resultou em faturamento da ordem de R$ 19,1 bilhões.
Todos os números e informações do setor, ainda mais dissecados, estão reunidos no Anuário da Indústria de Implementos Rodoviários 2026, lançado oficialmente durante a assembleia.
A publicação de 210 páginas traz ainda a opinião e a análise dos dirigentes das principais entidades da indústria automotiva brasileira sobre o atual momento do setor, da economia e dos fatores que influenciarão o mercado e a produção brasileiros, sobretudo ao longo deste ano.
Em matérias produzidas por jornalistas especializados, o anuário ainda aborda questões importantes para os fabricantes de implementos, como a indústria de pneus, o consórcio, a formação e a oferta de mão de obra, a exportação e até mesmo a reciclagem.
“Trata-se de um valioso e histórico documento que, mais do que a principal fonte de dados da indústria brasileira de implementos rodoviários, serve como farol e termômetro para a definição de novas estratégias ou mesmo para a revisão das já encaminhadas”, afirma Nilson Santos, diretor da Ponto & Letra Comunicação, editora do anuário.
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Empresa vendeu 247 unidades de janeiro a março de 2026, ante 160 produtos em igual período do ano passado; Maior venda foi um lote de 35 unidades para um cliente do Espírito Santo
A HC Hornburg expandiu suas vendas no primeiro trimestre de 2026 em 54,5%. De janeiro a março desse ano a empresa vendeu 247 unidades, ante 160 produtos no mesmo período de 2025.
“O mercado está com demanda elevada em especial o segmento logístico dedicado à Cadeia do Frio o que abre oportunidade para nossa expansão”, diz Betina Borchardt, diretora Geral da HC Hornburg. A linha de produtos da empresa que se destaca no período são as carrocerias paleteira para veículos três quartos utilizadas para a distribuição de alimentos congelados e refrigerados.
A maior venda ocorrida no trimestre foi de 35 unidades para uma empresa de logística do Espírito Santo que atua na distribuição de alimentos frigorificados. “O contrato representou mais de 10% do total comercializado no trimestre”, comemora Everton P. Bertol, gerente Comercial da HC Hornburg, que completa: “Essa venda mostra nossa capacidade de entregar volumes elevados garantindo assistência técnica a lotes de vulto”.
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Argonautas Comunicação
Por Hermes Santos, CEO da Modefer
Ao longo da minha trajetória empresarial, aprendi que entender profundamente o mercado em que atuamos é a base para transformar negócios e construir uma história de sucesso sólida e duradoura. Não basta apenas produzir, é preciso ouvir, interpretar e se conectar genuinamente com quem utiliza nossas soluções.
Lá atrás, em 1987, quando comecei a empreender eu sabia que o desafio não seria pequeno. O setor industrial é exigente, competitivo e, acima de tudo, dinâmico. Desde o início, entendi que para sermos relevantes, precisaríamos estar muito próximos de nossos clientes e parceiros. Precisávamos entender suas necessidades reais — muitas vezes antes mesmo que eles as expressassem. Mas o que nos trouxe até a liderança do mercado de hélices e embreagens viscosas foi muito mais do que investir em estrutura ou tecnologia, foi investir em conhecimento.
Acredito que a educação é o maior instrumento de transformação — tanto pessoal quanto empresarial. Por isso, busquei me especializar continuamente, participando de feiras internacionais, realizando treinamentos em polos industriais de inovação, como EUA, Alemanha, Japão, Coreia do Sul e Itália. Em cada uma dessas experiências, meu objetivo era o mesmo: entender as tendências, antecipar movimentos e trazer novos conhecimentos para dentro da minha companhia.
No entanto, mais importante do que aprender novas técnicas foi entender diferentes culturas de negócios, padrões de consumo e modos de pensar. E, assim, reforçar minha convicção de que liderar não é apenas tomar decisões estratégicas, mas também criar conexões verdadeiras.
Essa mentalidade moldou a forma como nos relacionamos com nossos clientes. Sempre buscamos ser mais do que fornecedores — queremos ser parceiros. Acreditamos que soluções de verdade surgem do diálogo constante, da troca de experiências e da humildade em aprender com quem está na linha de frente utilizando nossos produtos.
Hoje, olhando para a nossa história, vejo que o nosso sucesso é reflexo direto dessa filosofia: investir em inteligência de mercado, valorizar a educação contínua e construir parcerias sólidas e transparentes.
Em um mundo que muda em alta velocidade, a capacidade de adaptação se torna nossa maior vantagem competitiva. E adaptação só é possível quando estamos conectados com as necessidades do mercado, atentos às transformações e dispostos a evoluir sempre.
Entender o mercado é, para mim, mais do que uma estratégia empresarial — é um compromisso diário de respeito, escuta e inovação. Foi assim que transformamos a empresa e é assim que seguimos construindo o futuro.
Percebemos, há alguns anos, a importância de estar cada vez mais próximos de quem utiliza e aplica nossas soluções no dia a dia. Em vez de esperar que dúvidas se transformassem em problemas, buscamos escutar ativamente o mercado para entender como poderíamos orientar melhor nossos clientes e parceiros. Conversamos com mecânicos, distribuidores e profissionais da área para identificar oportunidades de melhoria e esclarecimento. Dessa escuta nasceu uma iniciativa voltada à formação e capacitação técnica, com o objetivo de evitar dúvidas, reduzir devoluções desnecessárias e garantir a melhor performance dos nossos produtos em campo. Aprendi que quando a empresa se antecipa às necessidades de quem está na linha de frente, ela cresce de forma sólida. E é assim que pretendo seguir: ouvindo, aprendendo e transformando.
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Por André Pimenta, CEO da Motz*
A logística pode parecer um cenário desafiador, em alguns momentos. Gerenciar sua própria frota e ao mesmo tempo manter a eficiência e conformidade com as regulamentações resulta em custos significativos e complexidade de gestão burocrática. Por isso, para muitas organizações do ramo, a terceirização se mostra uma alternativa eficaz.
De acordo com dados da Gartner, uma das principais empresas de pesquisa e consultoria para tecnologia da informação, em 2022, os gerentes de logística subiram seu orçamento de terceirização em 66%, e, ainda nos próximos dois anos, esse número aumentará para 74%.
O ramo de terceirização pode trazer benefícios para empresas de ramos diversos, principalmente no segmento de logística, cito alguns abaixo.
- Redução de custos - Manter a própria frota implica em gastos consideráveis com aquisição de veículos, manutenção, mão de obra, combustível, pedágios, seguros e uma série de outras coisas que podem se mostrar insustentáveis para empresas da área. Por isso, a terceirização da logística é considerada uma boa saída para minimizar esses custos.
- Otimização e flexibilidade nas operações - Organizações terceirizadas podem já ter o conhecimento e experiência necessários para sugerir as rotas mais eficientes e os melhores horários, assim como lidar com variações sazonais de uma determinada demanda. Isso permite maior flexibilidade nas operações da empresa, que não precisará investir em novos veículos nem contratar funcionários temporários, por exemplo.
Além disso, a terceirização da logística torna tais processos mais simples, ágeis e eficazes, proporcionando resultados melhores e diminuindo possíveis falhas e desperdício de recursos na operação da contratante.
- Acesso à tecnologias avançadas e profissionais capacitados - A prática pode oferecer uma variedade de recursos técnicos que otimizam as operações. Isso inclui sistemas modernos e inovadores (hardwares e softwares que muitas vezes dispensam instalação e aplicativos para dispositivos móveis) que permitem integração entre diferentes atividades, assim como automatização de tarefas e acompanhamento em tempo real.
Além disso, essas empresas podem ter à disposição infraestrutura de processos, sistemas e time especializados para oferecer soluções inteligentes para os problemas, dificuldades e demandas do dia a dia.
- Maior eficiência no transporte e entrega de cargas - Ao optar pela terceirização da logística, a companhia delega suas entregas a profissionais parceiros, que terão a tarefa de localizar as rotas mais estratégicas para evitar atrasos, assim como melhores preços e fretes. Tudo isso ajuda a desenvolver relações assertivas com os clientes, entregando produtos com mais rapidez e em bom estado.
Em conclusão, a área de outsourcing pode trazer diversos benefícios para a logística fazendo com que as organizações do setor contem com parceiros especializados para tarefas específicas e, assim, possam focar em outros ramos mais estratégicos e segmentados.
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Implementos.net.br
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